sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Isto foi algo que levei ao FIM

Alem deste post, e do titulo do ultimo antes deste, não escrevi nada do que foi publicado. Então, não me culpe, este é o resultado da minha insaciavel busca pelo conhecimento e pelo desconhecido, creio que a maioria dos textos foram coletados de sites aleatorios enquanto trabalhava, isso mesmo, enquanto atendia os clientes do terra networks, eu pesquisava estes assuntos do meu interesse, mas não havia tido interesse em divulga-los, até a tarde de hoje, quando conheci uma pessoa muito especial, na verdade eu apenas conheci um lado desta pessoa, um lado, que minha intuição ja desconfiava que existia. Isso ocorreu porque se existe esta pessoa na minha realidade, deve com certeza haver mais pessoas interessadas nisto, que guardo ha 5 anos, por isso aqui está, meus filhos, apenas uma parcela do conhecimento que tenho guardado. Espero ser UTIL.

obs: Minha hubris, quer apenas dizer, que apenas levei 1 hora e 39 minutos para efetuar 80 postagens. Não havera mais postagens neste blog, assim como o criei hoje, o finalizo hoje, quer dizer, ainda vou levar um tempo para reunir as figurinhas bunitinhas para seus olhinhos iludidos, mas vai deixar mais bonito, e prometo que tentarei dar uma organizada na diagramação dos textos.

"O poder corrompe,
O poder total,
corrompe totalmente."
-Homem Aranha

banho de sorte do meu signo

Na lua cheia, faça este banho contara as mas influencias, Arrume folhas de salgueiro, orquidea,  margarida, arrebenta-cavlo, fedegoso e folhas de bambu. Banhe-se mentalizando energia positiva.

Assim na terra como no céu


Assim na terra como no céu
 
 
     Este ensino aborda a dimensão fisicao como um reflexo de uma dimensão não fisica superior. Tudo que existe no mundo fisico foi antes uma forma de energia em uma dimenção superior que manifestou-se no mundo da matéria fisica, ainda assim refletindo o conceito basico do principio superior.
     Nos misterios egipcios, ensinava-se que " o que está abaixo é igual ao que esta acima, e o que esta acima é igual ao que está abaixo" (a Criação corresponde ao Criador). Esse conceito é valido não so para a manifestação da matéria fisica, mas tambem esta contida nas leis da natureza e nos principios da fisica. Eis porque , na teologia Wiccana, a natureza é vista como um grande mestre e porque a wicca se basea na reverencia a natureza. É através de nossa compreesão da natureza e de suas caracteristicas que poderemos compreender os metodos dos criadores que a tudo originaram, pois a natureza dos criadores é refletida em suas criações, assim como o estilo de um artista pode ser identificado em sua arte.
 
     A antiga religião contem certas leis e metodos, pois se basea no projeto da natureza ( o qual por sua vez, reflete a natureza daquilo que o criou, em  outras palavras a Conciencia Divina). A filosofia oriental, de certo modo, prejudicou este conceito da crença wiccana, e hoje muitos neo wiccanos desprezam a antiga estrutura e doutrina dos ensinamentos misteriosos. Eles optam pela filosofia oriental dos principios cosmicos e enquanto os antigos wiccannos adotam um deus e uma deusa concientes, muitos neo wiccanos adotam principios metafiscos.
 

OLEO DE PROTEÇÃO


OLEO DE PROTEÇÃO
 
250 ml de oleo
2 col de sop de PRIMULA
2 col de sop de LAVANDA
1 col de sop de SANDALO
 
Deixar diluir.

AMULETO ENCANTADO DE PROTEÇÃO


AMULETO ENCANTADO DE PROTEÇÃO
 
(oleo de proteção)
 
1 pedra vermelha, branca ou preta
> tinta de uma cor diferente da pedra
 
Com a tinta desenhar na pedra a runa ALGIZ, a runa de proteção, colocar a pedra no centro de um pentagrama em um altar e dizer:
"Com o poder magico do Pentagrama e da Runa Algiz, eu decreto que esse amuleto seja usado para proteção."
 
 
Deixe no centro do pentagrama até a tinta secar, então embua-o com o oleo de proteção e diga:
"Eu consagro este amuleto em nome de Hermes"
 
 
Usar a pedra em um colar ou dentro do bolso.Protege de negatividades.

INCENSO PARA ENCANTAR OBJETOS


INCENSO PARA ENCANTAR OBJETOS
 
 
(potencializa um encantamento, fortalece e energiza amuletos)
 
  • 1 col de cha de folhas de ALECRIM
  • 1 col de cha de folhas secas de MIRRA
  • 1 col de cha de SANDALO em pó
  • 1 col de cha de folhas secas de SALVIA
  • 1 col de cha de CANELA em pó
Também indicado para objetos pessoais
Exposição a fumaça por 15 min

Ordem Templária


Ordem Templária
Também chamada dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, esta Ordem foi fundada em 12 de junho de 1118 em Jerusalém por Hugo de Payens, Cavaleiro de Burgúndia, e Godofredo de Saint Omer.
Balduíno II, rei de Jerusalém, alojou ambos e a mais sete aderentes seus, perto do Templo de Salomão, originando-se daí a denominação de Templários. Durante nove anos, seus membros dedicaram-se somente a trabalhos sobre o plano metafísico, sem participar nos combates e na política. Seria infantil, para alguns, crer que a Ordem do Templo surgiu para defender Jerusalém, ou para guardar o Santo Sepulcro, ou para proteger os peregrinos. Os historiadores mesmo não acreditam nessa versão, mas são obrigados a se contentarem com as conjecturas, pois não puderam descobrir nenhum documento sobre a Missão Esotérica da Ordem.
São Bernardo de Clairvaux, fundador da Ordem Cirtecense, foi o patrono dos Templários. Ele enviou uma carta a Hugo de Payens pedindo a cooperação da Ordem para reabilitar os "ladrões e sacrílegos, assassinos, perjúrios e adúlteros", porém que estivessem dispostos a se alistar nas fileiras das Cruzadas pela liberação da Terra Santa. Alentado assim por um dos mais influentes de sua época, Hugo de Payens partiu em direção do Concílio de Troyes, na França, para assegurar o reconhecimento de sua Ordem na Europa. Ali sob o patrocínio e proteção de S. Bernardo apresentou a regra da irmandade, que seguia até certo ponto a Regra da Ordem Cirtecense. Mas a carta constitutiva da Ordem, que a estabeleceu definitivamente, só lhe foi outorgada em 1163 pelo Papa Alexandre III.
Em seu período áureo, foi constituída de vários graus. A sua seção mais importante foi a dos Cavaleiros, por sua feição militar. Em sua recepção, juravam observar os três preceitos de pobreza, castidade e obediência, tal qual os membros das demais Ordens da Igreja. Em geral descendentes de alta estirpe, os Cavaleiros tinham direito a três cavalos, a um escudeiro e duas tendas. Aceitavam-se também homens casados, mas sob a condição de legarem à Ordem metade de suas propriedades, e não se admitiam mulheres. Depois vinha um corpo de Clérigos, incluindo Bispos, Padres e Diáconos, sujeitos aos mesmos votos dos Cavaleiros, e que por especial dispensação não rendiam obediência a nenhum superior eclesiástico ou civil, a não ser o Grão-Mestre do Templo e ao Papa. Instituiu-se que as confissões dos irmãos da Ordem deviam ser ouvidas somente por clérigos especiais, e assim permaneciam invioláveis os seus segredos. Também havia duas classes de Irmãos Servidores, os criados e os artífices. A hierarquia administrativa da Ordem era formada pelo Grão-Mestre, o Senescal do Templo, o Marechal como autoridade suprema em assuntos militares, e os Comendadores sob cuja direção estavam as Províncias.
A influência dos Templários cresceu rapidamente. Combateram valentemente em várias Cruzadas, e a mercê dos bens tomados de seus inimigos vencidos, ou doados à Ordem, chegaram a ser grandes financeiros e banqueiros internacionais, cujas riquezas tiveram o seu apogeu em meados do século treze. Os reis da Europa depositavam seus tesouros e riquezas nas arcas dos Templários e, no que não era incomum ocorrer, pediam até mesmo empréstimos a Ordem.
Seu papel preponderante na Igreja se pode avaliar pelo fato de os membros da Ordem serem convocados para participar dos Grandes Concílios da Igreja, tal como o de Latrão em 1215 e o de Lyon em 1274. Assim, não há dúvida que essa Ordem foi um dos repositórios da Sabedoria Oculta na Europa, durante os séculos doze e treze, porém seus segredos eram transmitidos tão-só a alguns de seus membros selecionados. Em sua seção religiosa, as cerimônias de recepção eram executadas sob estrito sigilo, e daí, naturalmente, a razão de lhe haverem os leigos atribuído as mais horríveis práticas e histórias infundadas.
Depois da tomada de Jerusalém pêlos Sarracenos (Muçulmanos que, inclusive, nos períodos de trégua, negociavam com os Templários, pois acreditavam ser prudente ter algum dinheiro invertido com os cristãos para o caso de que os avatares da guerra pudessem terminar em alguma espécie de pacto com os europeus ) em 1291, adveio a queda do Reino Latino; o quartel-general da Ordem foi transferido da Cidade Santa para Chipre, e Paris passou à categoria de seu principal centro na Europa. Por certo que esta derrota das Cruzadas, em que o túmulo de Cristo caiu nas mãos dos "infiéis", abalou a posição dos Templários, como das demais ordens militares, mas ninguém poderia prever o seu fim brusco e trágico.
Conservando-se ainda poderosamente rica, credora do Papa e da corte da França, suas posses passaram a ser avidamente cobiçadas. Felipe IV, o Belo, necessitava prementemente de dinheiro e depois de haver confiscado os haveres dos banqueiros lombardos e judeus e tê-los expulso do país, volveu suas gulosas vistas para os Templários. Como o Papa Clemente V devia sua posição em Avinhão às intrigas do rei, foi fácil a sua aquiescência. Essa macabra tarefa foi muito ajudada pelo ex-cavaleiro Esquieu de Floyran, o qual, pessoalmente interessado na desmoralização da Ordem, contra ela levantou as mais duvidosas acusações. Essas acusações foram sofregamente aceitas por Felipe IV, que, numa sexta-feira, 13 de outubro de 1307, mandou prender todos os Templários da França e o seu Grão-Mestre, Jacques DeMolay, os quais, submetidos à Inquisição, foram por esta acusados de hereges.
Por meio de inomináveis torturas físicas, infligidas a ferro e fogo, foram arrancadas desses infelizes as mais, contraditórias confissões. O Papa, desejoso de aniquilar a Ordem, convocou um concílio em Viena, em 1311, com esse fim, mas os Bispos se recusaram a condená-la à revelia; conseqüentemente, o Papa convocou um consistório privado em 22 de novembro de 1312, e aboliu a Ordem, conquanto admitindo a falta de provas das acusações. As riquezas da Ordem foram confiscadas em benefício da Ordem de São João, mas é certo que a grossa parcela francesa foi adjudicada aos cofres do rei da França, Felipe, o Belo.
A tragédia atingiu seu ponto culminante em 14 de março de 1314, quando o Grão-Mestre do Templo, Jacques DeMolay, e Godofredo de Charney, preceptor da Normandia, foram publicamente queimados no pelourinho diante da catedral de Notre Dame, ante a turba, como hereges impenitentes. Diz-se que o Grão-Mestre, ao ser envolto e devorado pela pira, ele voltou a cabeça em direção ao local onde se encontrava o rei e imprecou: "Papa Clemente, cavaleiro Guilherme de Nogaret, Rei Felipe... Convoco-os ao Tribunal dos Céus antes que termine o ano, para recebam vosso justo castigo. Malditos... Malditos... Malditos... Sereis malditos até treze gerações...". E de fato, antes de decorridos doze meses, ambos os intimados estavam mortos.
Em Portugal, o rei D.Dinis não aceita as acusações, funda a Ordem de Cristo para qual passam alguns Templários. Na Inglaterra, o rei Eduardo II, que não concordara com as ações de seu sogro Felipe, ordena uma investigação cujo resultado proclama a inocência da Ordem. Na Inglaterra, Escócia e Irlanda os Templários distribuíram-se entre a Ordem dos Hospitalários, monastérios e abadias. Na Espanha, o Concílio de Salamanca, declara unanimemente que os acusados são inocentes. Na Alemanha e Itália a maioria dos cavaleiros restou em liberdade.
No entanto, a destruição da Ordem não acarretou a supressão completa de seus ensinamentos mais profundos. A sua mística permaneceu viva através dos seis séculos e meio as fogueiras de Notre Dame, palpita indubitavelmente no corpo e no espírito da Maçonaria e da Ordem DeMolay.

Artigo retirado do Jornal "Harmonia DeMolay"
Jornal Informativo editado pelo Capítulo Harmonia Itajaiense.

Rosa Cruz


Rosa Cruz
Origem remota, rituais ocultos, superdesenvolvimento mental - são alguns dos assuntos que fascinam os iniciados no rosacrucianismo. Dizem os rosa-cruzes que para entender seus ensinos é preciso recuar à época do Império Egípcio, e assim dão a sua origem ao tempo em que os egípcios ainda transmitiam suas idéias imprimindo sinais herméticos em tijolos de barro, tempo que antecede o uso do papiro como escrita. Afirmam ainda que a primeira Loja Branca teve início no reinado do Faraó Amenófis I.
Christian Rosenkreuz é conhecido como o fundador do rosacrucianismo. Nascido em 1375, na fronteira da Alemanha com a Áustria, onde se educou e se desenvolveu, Rosenkreuz começou a viajar e após percorrer a Alemanha, Áustria e Itália, encaminhou-se para o Egito, onde foi bem acolhido pelos irmãos da Loja Egípcia. Ali, foi admitido em todos os graus dos mistérios egípcios e fundou a Ordem Rosa-Cruz.
Assim como a Maçonaria se intitula uma sociedade secreta, assim também são os rosa-cruzes. No século 18, deu-se o título de Rosa-Cruz a todas as entidades que afirmam ter relações secretas com o mundo invisível. Da mesma forma como a Maçonaria nega sua condição de entidade religiosa, assim o fazem os rosa-cruzes. Pode-se afirmar, entretanto, que o rosacrucianismo é um tipo de sociedade religiosa eclética ou sincrética, pois admite em seu quadro associativo pessoas de todas as religiões. Tem seu templo, a sua loja do lar. Tem seus sinais de reconhecimento, tem palavras de passe e apertos de mão, tem também diversos graus e há cerimônias especiais para a entrada nesses graus.
Religião ecumênica
Declarações sobre sua condição de seita religiosa são comprometedoras e contraditórias: Já disseram que o trabalho Rosa-Cruz se torna uma religião para alguns de seus membros. Isto é verdade desde que com isto não se queira dizer que a Ordem se transforme em igreja. Aos rosa-cruzes pede-se que freqüentem as suas respectivas igrejas, e que cooperem no bom trabalho que estão realizando; ao mesmo tempo, porém, os ensinamentos. podem se tornar a religião de uma pessoa, seja ela metodista, presbiteriana, protestante episcopal, católica romana ou de qualquer outra seita.
No verbete Religião afirmam que. O conhecimento de Deus e de suas manifestações suscita real devoção religiosa da parte dos rosa-cruzes, e o místico é sempre um sincero estudante de teologia básica. Todavia, além de associar-se a igrejas sectárias a fim de auxiliá-las na importante obra que estão realizando, o rosa-cruz é liberal, é tolerante em sua religião e vê Deus em tudo e em cada uma de suas criaturas.
Incentivando o estudo de suas monografias dizem mais: Se para o estudante, os ensinamentos rosa-cruzes tiverem se tornado sua religião, deixe que eles permaneçam assim, como coisa pessoal, apenas sua, e não permita que um gesto ou uma palavra de sua parte possa sugerir a alguém que prefere permanecer afastado das igrejas devido aos seus estudos rosa-cruzes. Poderá ser leal a ambos: auxiliar a ambos e, ao mesmo tempo, servir a Deus e prestar maior auxílio à humanidade através desses dois canais.
Ademais, os rosa-cruzes afirmam que não constituem uma sociedade religiosa cristã. Se a Ordem Rosa-Cruz fosse uma organização puramente cristã, isto significaria que em todas as terras onde outras religiões fossem aceitas, os rosa-cruzes teriam de ser cristãos. Esta não é a verdade.
Como vemos, embora negando e depois afirmando, os rosa-cruzes confessam ser uma religião, mas destacam que não se trata de uma religião cristã. É uma religião eclética. A Bíblia ensina que não existe possibilidade de alguém servir a dois senhores em Mt 6.24 e que não devemos nos colocar debaixo de um jugo desigual com os infiéis, notoriamente uma sociedade ocultista (2 Co 6.14-17). Para muitas pessoas, qualquer tipo de culto é aceitável e não examinam as Escrituras para verificar como Deus vê essa situação de duplicidade religiosa. Nas Escrituras, vamos encontrar que Deus não aceita qualquer tipo de culto. Olhando em Gênesis 4.3-7 encontramos dois irmãos - Abel e Caim - oferecendo culto a Deus. O oferecimento de Caim foi rejeitado e o de Abel foi aceito. Na Bíblia encontramos Deus exigindo adoração exclusiva em Dt 6.5; Êx 20.5. Só existe um meio aceitável de adorar a Deus (Jo 4.23-24) e os demais são inconvenientes e impróprios (Mt 7.13-14).
A Rosa-Cruz se vangloria de ter em seu rol de membros pessoas consideradas ilustres na História, contudo o apóstolo Paulo era um doutor da lei e, quando no judaísmo, havia estudado aos pés do sábio Gamaliel. Agora que era cristão, não se envergonhava do Evangelho de Cristo, ao contrário, (Rm 1.16-17), admitindo até que não eram muitos os poderosos segundo a carne que haviam aceitado a fé cristã. Então, declara em 1 Co 1.18: Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus. Porque está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios, e aniquilarei a inteligência dos inteligentes. Onde está o sábio? Onde está a escrita? Onde está o inquiridor deste século? Porventura não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo? Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação (1 Co 1.18,21).
Como vimos, quão diferente é a linguagem de Paulo da empregada pelos rosa-cruzes! Fazem declarações bombásticas de pessoas ilustres para ressaltar o conhecimento secreto revelado a pessoas consideradas ilustres neste mundo por meio dos seus ensinos secretos, quando Cristo, o próprio Evangelho, veio e viveu entre os humildes e sua mensagem é aceita e compreendida por todos os homens sinceros de coração (Mt 11.25).
Símbolos e Misticismo
Utilizam-se de objetos em suas práticas ocultistas tais como: incenso, estátuas, toalhas, aventais, bandeiras, decalques, discos, fitas K-7; publicações como monografias, de vários graus, enviadas pelo Correio para os membros do Sanctum da Grande Loja.
Quando uma pessoa se converte, abandona as práticas ligadas ao ocultismo. Essas práticas são chamadas de artes mágicas e todos os objetos de livros ligados a essas artes devem ser abandonados e se possível até queimados. Esse era o modo como agiam os primitivos cristãos (At 19.18-19).
O símbolo da Ordem é uma cruz negra com uma rosa vermelha no centro. A Cruz representa o corpo humano, com os braços abertos voltados para a luz. No centro, no ponto em que o braço horizontal da cruz se une à madeira vertical, está sobreposta a rosa, representando a personalidade-alma. Essa rosa, parcialmente desabrochada, simboliza a consciência em evolução à medida que recebe a Luz Maior (Manual Rosa-Cruz, p. 235, 7ª edição, 198l).
A saudação rosa-cruz é feita com as seguintes palavras: Floresçam as Rosas na tua Cruz. A resposta à saudação é: E também a tua (O Caos das Seitas, p. 87).
Sendo uma entidade religiosa com práticas ocultistas, propaga curas por meio de poderes extra-sensoriais conhecidos pela sigla PES. Promete desenvolver o poder da vontade; manter a saúde; superar hábitos maus, atingir uma conscientização cósmica; mudar o ambiente; superar o complexo de inferioridade; decifrar antigos símbolos. Essa condição de práticas ocultistas não é negada pelos rosa-cruzes. Dizem que seu estudo é o mais completo, integral, minucioso e maravilhoso curso de alta instrução em metafísica, ocultismo, magia natural, psicologia e desenvolvimento mental, que o homem jamais teve.
Palavras mágicas
Afirmam os rosa-cruzes que existem certas palavras mágicas que, quando pronunciadas, trazem proteção contra circunstâncias adversas. Os membros dos graus inferiores quando se confrontaram com situações graves e ameaçadoras, ao repetir, imediata, silente ou suavemente a palavra Mathrem, ou a palavra Mathra, trouxe-lhes proteção imediata para o corpo e paz para a mente. Por exemplo, os membros que se confrontaram com colisões quase certas foram protegidos quando rápida e mentalmente repetiram a palavra Mathrem ou Mathra. Outra palavra é Ra-Ma. Pronunciar essa palavra sagrada e fazer com que ambas soem como o A. A palavra Rama deve ser pronunciada alongadamente da seguinte forma: Raaaaaaaaa-aaaa-Maaaaa-aaaaaaaa.
Um dos rituais mais praticados é assim descrito:
Preparação
"Selecione qualquer ocasião do dia ou da noite, e qualquer período da semana que seja mais conveniente para realizar este ritual. Requererá o isolamento de uma convocação de Sanctum."
Velas: Acenda duas velas (archote) no altar de seu Sanctum, colocando-as cerca de 20 cm de distância uma da outra, no mesmo plano. Se tiver a Cruz do Sanctum, coloque-a ligeiramente por trás das duas velas e no centro entre as mesmas.
Incenso: Na ocasião em que preparar as velas, acenda também o incenso no Incensório. O Incensório deve ser colocado cerca de 10 cm em frente à Cruz do Sanctum.
Avental: Se tiver o seu avental ritualístico, deverá usá-lo, atando-o da maneira usual.
Luzes: Todas as luzes devem ser apagadas, em seu Sanctum, com exceção das velas e a lâmpada próxima à cadeira em que estiver sentado, para a leitura. Evite, se possível, ter luzes brilhantes acesas no teto (Ádito número Um, p. 6).
Ensinos que entram em conflito com a Palavra de Deus - A divindade do homem.
Essa pretendida evolução do homem indicada pela rosa desabrochada é elevar o homem à divindade, como afirmam: O (uso do) símbolo da Rosa-Cruz, não como símbolo religioso, mas como símbolo divino, representa a verdadeira divindade do homem e de toda a natureza (Manual Rosa-Cruz, p. 89). Esse ensino panteísta (Tudo é Deus) é antibíblico. O homem foi criado por Deus (Gn 1.1), à sua imagem e semelhança. É criatura e não um deus (Gn 1.26-27). O homem é homem e Deus é Deus, não podem ser confundidos (Is 31.3; Ez 28.2,9).
Para criarem a consciência da sua divindade os rosa-cruzes são aconselhados a repetir continuamente as seguintes palavras: Eu sou puro! Eu sou puro! Eu sou puro! Minha pureza é a pureza da divindade do templo Sagrado (Cro-Maat! - Monografia Semanal, segundo Grau, número Um, p. 6). Deus é distinto da sua criação, embora não esteja distante dela. Entende-se com isso a transcendência e a imanência de Deus. A transcendência de Deus é a característica de Ele ser distinto da criação e a imanência de Deus indica que Ele não abandonou a criação como ensina o deísmo. Paulo abordando o assunto no seu discurso no areópago de Atenas disse: O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens, nem tampouco é servido por mãos de homens, como que necessitando de alguma coisa; pois Ele mesmo é quem dá a todos a vida, e a respiração, e todas as coisas. E de um só fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites da sua habitação (At 17.24-26).
Reencarnação
A doutrina da reencarnação é uma das principais doutrinas dos rosa-cruzes e eles não fazem segredo disso. De acordo com a lei de encarnação, cada ser humano renasce no plano terreno a cada 144 anos, em média. Em outras palavras, se pudéssemos acompanhar as reencarnações de uma pessoa em um período de mil anos atrás, verificaríamos a ocorrência de um renascimento em um novo corpo a cada 144 anos, em média. Se uma pessoa vive somente 80 anos neste plano terrestre e, em seguida, eleva-se a uma vida mais alta pela transição, a alma e a personalidade da referida pessoa permanecem no plano cósmico psíquico cerca de 64 anos antes de se reencarnar, a fim de completar o ciclo de 144 anos... A criança que passa para o plano cósmico aos quatro anos de idade teria de permanecer no mesmo 140 anos aguardando a reencarnação. (Monografia de Neófito, segundo grau, número doze, pp. 4-6).
A Bíblia enfatiza que o homem só passa uma vez pela terra em Hebreus 9.27, "aos homens está ordenado morrerem uma só vez vindo depois disso o juízo". Se morrem uma só vez é porque só podem nascer uma só vez. Depois da morte...juízo e não retorno a este "plano terrestre".
O ensino de Jesus em Lc 16.22-26 mostra o seguinte: a) a unicidade da vida terrestre; b) a existência de um lugar de felicidade após a morte (2 Co 5.6-8; Fp 1.21-23); um estado consciente de tormento para os que o rejeitaram como Salvador e Senhor (Lc 16.22-24); c) a futura ressurreição do corpo: glorificado para os cristãos e de vergonha para os não-cristãos (Jo 5.28-29). Pela doutrina da reencarnação ninguém se salvaria, seria um vai e vem sem fim, pois quem viesse pagar uma dívida iria contrair outra para futuras reencarnações.
Deturpação da Bíblia
a) As últimas palavras proferidas pelo Mestre Jesus, na Cruz, foram RA-MA.
Se examinassem um pouco melhor a Bíblia encontrariam que as últimas palavras de Jesus na cruz foram Tudo está consumado (Jo 19.30).
b) Sobre o Jardim do Éden:
...no alvorecer da evolução do Homem, encontramos o homem e a mulher em lugar alegoricamente chamado Éden - o Jardim... Devemos, portanto, considerar o Jardim do Éden como uma condição e não um lugar.
Consideramos o relato bíblico do Jardim do Éden realmente um lugar, uma realidade histórica, e não um relato alegórico. Jesus se reportou, em seus ensinos, sobre a criação de Adão e Eva como verdades históricas da criação do primeiro homem e da primeira mulher (Mt 19.4-6). O mesmo fez o apóstolo Paulo falando da queda dos nossos primeiros pais (Rm 5.12).
c) Eu sou o Caminho
E, naturalmente, temos esta outra maravilhosa e iluminadora declaração do Grande Mestre, falando desta vez como Cristo Ressucitado. Ele não pronunciou esta frase no sentido pessoal, e que Ele não estava falando como Jesus, o Homem, ou como um Líder Divino. Naqueles dias o Caminho era uma escola mística esotérica e secreta que aqueles que guiavam aos outros no Caminho eram perseguidos.
Ora, lendo Jo 14.6 e o contexto vemos que Tomé perguntou a Jesus sobre o caminho para a casa do Pai (Jo 14.2-3) e Jesus responde dizendo ser Ele o caminho, e a verdade e a vida. "Ninguém vem ao Pai, senão por mim." Jesus é esse caminho e não uma escola mística esotérica. É um ensino esdrúxulo (Hb 13.9).
Trindade
Falando sobre a Trindade, assim se manifestam os rosa-cruzes: Os místicos compreendiam muito bem o que Jesus quis dizer por Sagrada Trindade ou por 'Pai, Filho e Espírito Santo'. Eles conheciam a lei do triângulo e como a divindade pode ser representada pelo símbolo do triângulo ou pelos três. Eles não puderam compreender, contudo, outras características da religião cristã adicionadas a ela séculos depois.
A doutrina da Trindade é usualmente declarada nos seguintes termos: Na natureza do único e eterno Deus há três pessoas eternamente distintas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Todas as três pessoas são o mesmo Deus, embora o Pai não seja nem o Filho nem o Espírito; o Filho não seja nem o Pai nem o Espírito; e o Espírito não seja o Pai nem o Filho. Isto pode ser visto nas referências de Mt 3.16-17; Jo 14.16,26; 2 Co 13.13.
A identificação da ordem batismal de Jesus na fórmula trinitária de Mt 28.19, em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo em nada se relaciona com essa lei do triângulo mencionada pelos rosa-cruzes.
O que pensam sobre Jesus
As opiniões dos rosa-cruzes sobre Jesus são estranhas e extravagantes. Os conceitos emitidos sobre Jesus são até blasfemos. Nós que podemos ver o futuro, compreendemos que o próximo grande salvador mundial, o próximo Cristo do homem, e o filho de Deus, nascerá livre de qualquer relação com qualquer organização, com qualquer seita ou religião, com qualquer movimento que seja limitado a certas pessoas ou crenças.
Os rosa-cruzes falam de outro Cristo que ainda vai nascer para se tornar o salvador do mundo. Estão falando do anticristo (1 Jo 2.18). Seria Lord Maitreya da Nova Era? Jesus falou da vinda de falsos cristos e esse anunciado não deixa de ser um deles (Mt 24.5, 23-25).
Ser Evoluído
Jesus foi, inquestionavelmente, a culminação da evolução de centenas dos grandes místicos e seres inspirados dos séculos anteriores.
O Jesus bíblico é imutável. Duas declarações nesse sentido são encontradas em Jo 8.58 e Hb 13.8, contestando assim a declaração rosa-cruz de ser Jesus uma suposta evolução de centenas de grandes místicos.
Não Morreu na Cruz
Os antigos registros da Grande Fraternidade Branca e outros documentos que constam dos arquivos rosa-cruzes demonstram claramente que, depois que Jesus retirou-se para o mosteiro do Carmelo, viveu por muitos anos, realizando reuniões secretas com seus Apóstolos e devotando-se, pela meditação e pela prece, à formulação de doutrinas e ensinamentos para serem divulgados pelos apóstolos. Refutando as declarações rosa-cruzes afirmamos que Jesus não pode ser comparado a qualquer outro líder religioso. Ele fez declarações tão fantásticas que causaram protestos dos seus contemporâneos. Quando contestado nas suas reivindicações, comprovava sua autoridade realizando milagres. Quando curou o coxo que fora levado à sua presença por quatro amigos, declarou: Filho, perdoados estão os teus pecados. Contestado pelos presentes sobre sua autoridade para perdoar pecados, deu ordem ao paralítico que tomasse sua cama e se levantasse, o que foi feito de imediato. Sua autoridade fora comprovada (Mc 2.1-11).
O Evangelho pregado por Paulo, declarado por ele ser o poder de Deus, (Rm 1.16-17) trazia a seguinte mensagem: Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras (1 Co 15.3-4). Negar a morte de Jesus implica negar sua ressurreição e negar sua ressurreição é estar sem esperança, destituído de salvação! (1 Co 15.14-17).
O rosacrucianismo não apenas nega a morte física de Jesus na cruz, como nega que essa morte tivesse efeito salvífico.
A doutrina da Expiação, ensinada pela Igreja, consiste em que o Cristo expiou todos os pecados da humanidade, morrendo na cruz. A doutrina da Expiação é misticamente verdadeira, mas somente no sentido de que o próprio homem, alcançando o estado de consciência cósmica, pode expiar seu estado pecaminoso.
A morte de Jesus foi comprovada historicamente (Jo 19.30-42). Ora, considerando que o rosacrucianismo nega a morte de Cristo na cruz, afirmando que Ele sobreviveu à morte de cruz, e que viveu muitos anos como mestre no monte Carmelo, está transmitindo um ensino falso, fraudulento e apontado por Paulo em Gl 1.8 como devendo ser anatematizado. Pior ainda quando nega o significado de sua morte vicária, expiatória na cruz (1 Pe 2.24). Realmente, é outro evangelho que deve ser rejeitado. Um cristão orientado pela Bíblia jamais poderia tornar-se um rosa-cruz (Ap 18.4).
No Brasil existem várias organizações que seguem a ideologia ocultista:
- Antiga Mística Ordem Rosa-Cruz (AMORC) - fundada em 1915 pelo ocultista H. Spencer Lewis, em Nova Iorque (EUA).
- Fraternidade Rosa-Cruz - fundada por Max Heindel, em 1907, Oceanside, na Califórnia (EUA.).
- Fraternitas Rosae Crucis - P. B. Randolph, em 1868, R. S. Clymer, Quakerstown, PA (EUA).
- Lectorium Rosincrucianum/Áurea - fundada em 1971 por J. Van Rijckborgh, em Haarlem, na Holanda.
- Igreja Expectante - fundada em 1919, por A. R. Costet de Mascheville, em Guarapari, no Estado do Espírito Santo.
Cerimônias e Práticas
São as seguintes as cerimônias e práticas celebradas regularmente que identificam os rosa-cruzes como uma seita religiosa:
Ritual de Aposição de Nome, que deve ser realizado até os 18 meses da data do nascimento, numa cerimônia parecida com o batismo de crianças praticadas em igrejas católicas.
Ritual de Matrimônio, um tipo de cerimônia religiosa de casamento. Esta cerimônia pode realizar-se até após uma semana depois do casamento no civil.
Ritual Fúnebre, cerimônia realizada só quando o morto tiver pertencido à Ordem.
Ordem Juvenil dos Portadores do Archote, cerimônia realizada com crianças e adolescentes entre os 5 a 17 anos, com três classes por idades.
Ritos anuais: festa sagrada do Ano Novo, com refeição simbólica (março) e a Festa da Pirâmide (setembro) em comemoração à construção da grande Pirâmide de Quéops.

Stanislas de Guaita


 Stanislas de Guaita
 
Guaita nasceu num sábado, 6 de abril de 1861 às 5 horas da manhã, em Alteville, perto de Nancy, na Lorraine Francesa. Seu signo ascendente posicionou-se aos 27º 30´ de Peixes e seu signo solar colocou-se em Áries. Era filho de François Paul de Guaita e de Marie Amélie de Guaita, católica fervorosa. Seu pai provinha de uma antiga família de origem germânica, vinda da Itália no reino de Carlos Magno. Seus antepassados foram homens de guerra, religiosos e poetas. Em 1715, o tataravô de Stanislas de Guaita estabeleceu-se em Frankfurt, casando-se com uma jovem alemã. Durante o império Napoleônico, o avô de Guaita alistou-se no exército Francês e adquiriu a nacionalidade francesa. O pai do ocultista fixou-se em Alteville, onde nasceu o Mestre. A família de sua mãe era de descendência francesa.
O brasão dos Guaita possuía um escudo dividido horizontalmente. Na parte superior, uma águia imperial, bicéfala, destacava-se em negro, tendo sobre sua cabeça uma coroa. A parte inferior do escudo era em prata com três esquadros de lápis lazúli, com bordas de triângulos alternadas, em prata e negro.
Os autores que escreveram sobre Stanislas de Guaita não chegaram a nos fornecer muitos dados sobre a sua vida iniciática. Aprofundaram-se apenas na doutrina que ele próprio expôs em seus livros; os dados sobre sua vida particular, que poderiam interessar a todos aqueles que o admiram através de sua obra, referem-se apenas a aspectos exteriores. Apenas sua correspondência com Joséphin Péladan deixa entrever a natureza oculta e séria de seus trabalhos iniciáticos.
Na verdade, pouco antes do nascimento de Stanislas de Guaita, estava na moda o espiritualismo esotérico. Segundo o Mestre Papus, por volta de 1850, os Rosa+Cruzes tinham recebido a missão de encetar uma reação contra o materialismo oficial. Tinham se organizado centros Martinistas e parecia que o espírito cristão voltava a renascer. Este foi o clima no qual Guaita veio ao mundo das formas.
Entretanto, é impossível apresentar o interior de um Iniciado de sua envergadura e revelá-lo ao público, sem efetuar uma grande profanação. O homem interior só se deixa revelar à própria Divindade. Aqueles que vivem no exterior recebem apenas os reflexos de sua grande luz. Da mesa do Senhor as migalhas caem no chão e são digeridas por todos aqueles que aspiram a poder, algum dia, partilhar do celeste ágape.
Possam todos os iniciados que se baseiam na vida e obra dos divinos Mestres da Humanidade, um dia participar de tão glorioso banquete.
No colégio dos Jesuítas em Nancy, Stanislas de Guaita teve como companheiro Maurice Barrès, poeta que chegou a ingressar na Academia Francesa. Na primavera de 1880, Guaita e Barrès, jovens aprendizes de filósofos, viveram em Nancy com plena independência. Assim diria Barrès, referindo-se àquela época: "Esse tempo continua sendo o mais agradável de minha vida... O dia todo, e eu poderia dizer, a noite toda, da mesma forma, líamos poemas em voz alta um para o outro. Guaita, que possuía uma saúde magnifica e não abusava dela, deixava-me somente tarde da noite, mas ao amanhecer ia contemplar a elevação das brumas sobre as colinas que rodeavam Nancy".
A poesia foi pois, a primeira manifestação literária de Stanislas de Guaita. Escreveu "Les Oiseaux de Passage" em 1881, com 20 anos de idade, "La Muse Noire" em 1883 e "Rosa Mystica" em 1885. Em 1882 desembarcou na capital, juntamente com seu inseparável companheiro Maurice Barrès. Nessa época já se havia iniciado nos estudos ocultistas e efetuado um bom relacionamento com os esoteristas parisienses. Barrès procurou logo o mundo das artes, enquanto Stanislas de Guaita fez apenas um pequeno giro de reconhecimento da cidade e se concentrou em seus livros. Guaita renunciou sem vacilar à poesia. Tinha encontrado em outra parte o seu caminho. O objetivo de seu deslocamento para Paris era a Faculdade de Direito. Procurava algo mais elevado, embora não tivesse ainda total certeza do que se tratava. Sua vocação foi decididamente encontrada através da leitura de livros de Eliphas Levi e da obra "O Vício Supremo", de Joséphin Péladan, pois encontrou no Sâr um mestre vivo. O primeiro contato entre ambos deu-se através de uma correspondência endereçada por Stanislas de Guaita a Joséphin Péladan em 1884, quando o remetente possuía 23 anos e Péladan 25. Esta carta foi o prenúncio de uma amizade que mesmo vindo a ser posteriormente abalada, perdurou praticamente até a morte de Stanislas de Guaita. Datada de 3 de novembro, nela Guaita expressava-se ele mesmo, a Péladan "por falta de amigos comuns", na esperança que o autor lhe esclarecesse alguns pontos que o intrigavam. Mais tarde, descobriria que Péladan era um assíduo leitor de Eliphas Levi, possuindo praticamente todas as suas obras. Stanislas de Guaita confessou que considerava a Cabala uma Ciência magnífica, possuidora de "dogmas grandiosos e mitos incomparáveis". Nessa época já assinava com um aleph, o que demonstra a linhagem cabalística do jovem ocultista.
Depois de ter conhecido Péladan, Guaita relacionou-se sucessivamente com Barlet, Papus e Julien Lejay. Já eram seus amigos o Abade Roca (Alta) e Saint-Yves d´Alveydre. Intensificou, a partir desse momento, suas pesquisas ocultistas e a busca de livros raros nos sebos das margens do rio Sena. Montou uma invejável biblioteca cabalística, cuidadosamente encadernada e catalogada.
Péladan tinha uma brilhante erudição, mas de pouca profundidade. Os dois ocultistas, em suas correspondências assinavam Mérodack, Péladan, e Nébo, Stanislas de Guaita.
Mérodack, nome caldaico que expressa os atributos de Júpiter; Nébo, igualmente de origem caldéia que se refere aos de Mercúrio.
Em sua obra "Os Filhos das Estrelas", Joséphin Péladan diria:
"Espírito de Mérodack! Ó Júpiter! Espírito de Força e de Misericórdia, Senhor mui generoso, magnânimo imperador de Deus, senhor do templo e do palácio, chefe dos magos e dos reis, astro do cetro e da mitra, fazê-nos render a todos a honra que nos foi dada."
"Espírito de Nébo! O! Mercúrio! Espírito de sutilidade e de magia, que ensina as partes, possuidor dos secretos, senhor dos talismãs, árbitro do destino, desenvolve em nós o espírito profético e sagrado; permite-nos descobrir o mistério celeste, astro de inteligência, de sucesso, de milagres."
Por sua vez, Stanislas de Guaita, demonstrando o respeito que possuía por Péladan, numa de suas cartas diria:
"Eu sei, eu sinto que vós sois uma Inteligência superior à minha... Vós sois um gênio de espontaneidade e de síntese; eu sou um talento de paciência e de análise... Em vossos contatos amistosos, vós tendes o verdadeiro tato: aquele da Inteligência do Coração."
Posteriormente, por ocasião do afastamento de seu amigo a quem chegou a chamar de "grande fanático", sua admiração por Péladan arrefeceria. Em verdade, os conhecimentos de Péladan fundamentavam-se naquilo que lhe ensinara seu irmão e mestre o Dr. Adrien Péladan que Guaita não chegou a conhecer, bem como, no companheirismo do sábio cabalista Albert Jounet, diretor da revista "A Estrela", poeta esotérico que escreveu "As Ísis Negras" e "O Livro do Juízo" e que também foi amigo de Guaita.
Escrevendo a Maurice Barrès, Stanislas de Guaita diria:
"Leia os livros de Eliphas Levi e você verá que não há nada mais belo do que a Cabala. E eu, que sou relativamente versado em Química, não me admiro ao ver até que ponto os alquimistas eram sábios verdadeiros; com certeza a pedra filosofal não é nenhum embuste. A ciência mais contemporânea e mais esclarecida tende a confirmar hoje as geniais hipóteses dos magos de 6 mil anos atrás."
Stanislas de Guaita sempre foi um reconciliador, e a impressão que se tem é de que ele sempre estava procurando formar um grupo de Homens de Desejo, em torno de si e talvez de Saint-Yves d´Alveydre. Isto poderá explicar sua paciência na busca da reconciliação de uns e outros possíveis candidatos ao adeptado.
Stanislas de Guaita encontrou em Papus e Barlet as duas colunas de seu edifício intelectual. O trio tinha em Eliphas Levi, Fabre d´Olivet, Khunrath, Martinez de Pasqually, Saint Martin e Jacob Boheme os guias invisíveis que iluminavam a senda por onde deveriam passar não somente esses homens de vontade, mas todo aquele rebanho por eles apascentado. Seguindo as pistas de Jacob Böehme, de Eckhartaussen, de Pico della Mirandola, de Marcelo Ficin e de Knorr de Rosenroth é que Guaita chegou a Saint Yves d´Alveydre.
Stanislas, Papus e Barlet, apoiavam-se nas obras dos mestres e na Cabala Judaica, fundamento da Alta Magia. "Agora que fiz a síntese absoluta de minhas idéias sobre Cabala", disse Guaita, "estou em condições de lhe dizer: meu caro amigo (Péladan), estou certo. Herméticamente falando, estou absolutamente certo de estar na tradição ortodoxa... estou convencido de que te falo com conhecimento de causa. Ah! se pudesse em algumas linhas comunicar-te a claridade que me inunda... Parece-me que a luz se faz em meu espírito, e que os Arcanos se esclarecem."
Percebe-se, que assim como Papus, Guaita representava a Senda Ativa da Iniciação, aquela que conduz o Adepto a tomar "o céu por assalto". Por isso, quando o mestre Gérard Encause fundou em Lyon a Escola de Magnetismo, tendo Philippe Nizier como seu Diretor, nomeou como professores a Guaita, Sedir, Barlet, Péladan, Chamuel, Marc Haven, Maurice Barrès e a Victor Emile Michelet. A finalidade oculta dessa escola era a de recrutar membros para as Sociedades Iniciáticas dirigidas por Papus e Guaita. Nessa escola, ensinavam Hebraico, Cabala, Tarot, Astrologia, História Oculta, Magia e Medicina Oculta. Papus, numa de suas obras, falando de Guaita, afirma que ele, foi um sábio cabalista contemporâneo, demonstrando seu respeito pela figura de Stanislas.
Stanislas de Guaita passava cinco meses do ano no seu apartamento térreo da Avenida Trudaine, em Paris, na zona norte da cidade, onde recebia seus amigos ocultistas e onde mantinha uma segunda biblioteca. Seu salão, todo decorado de vermelho, obrigava a sérias meditações. As conversas com os amigos, assim como leituras cabalísticas, eram estimulantes para o espírito. Maurice Barrès, seu amigo de infância, dizia que ele era capaz de ficar semanas inteiras sem sair do apartamento. Muitas vezes cortava esse isolamento voluntário pela "caça" aos livros e raramente regressava sem trazer um exemplar raro. Os sete meses restantes do ano eram passados no campo, em seu castelo de Alteville, com sua mãe, certamente cuidando de sua produção material. No entanto, jamais se descuidava de seus estudos ocultos e procurava visitar os doentes nos vilarejos vizinhos, exercendo uma medicina caseira herdada de seu pai. Tinha um quarto da casa transformado "Laboratório Alquímico", para uma atividade que dizia exercer desde sua tenra juventude. Esse recinto era guardado, segundo acreditavam alguns criados e alguns amigos que freqüentavam sua intimidade, por um fantasma.
Tinha ele, nesse local, outra biblioteca e era, certamente, o local de reunião alternativo dos Rosa+Cruz, da qual foi o seu verdadeiro renovador. Seu Laboratório químico proporcionava a transformação dos elementos por inúmeras combinações; da mesma forma, ocorria em seu ser uma transformação espiritual, testemunhada por seus escritos e pelas conversas sempre estimulantes, que acalentavam os corações de todos os seus irmãos. Os trabalhos realizados em Alteville, com seus companheiros mais íntimos, efetuavam-se com muita harmonia, apesar da oposição de sua mãe, católica praticamente. Segundo contaria posteriormente seu secretário, Oswald Wirth, desde muito jovem têm-se notícia de que Stanislas de Guaita ousava escrever livros que pareciam heréticos à sua mãe viúva, embora ela não pudesse compreender que eram de um escritor esotérico e cristão. Ela não entendia a independência religiosa do filho e temia pela sua condenação eterna. "Confesso a divindade do Cristo-Espírito", escrevia-lhe o filho, "e professo o cristianismo universal ou catolicismo...(1890)... Creio em Deus e na Providência e não há um dia em que eu não eleve várias vezes minha alma em direção da Absoluta Bondade ou meu espírito em direção da Verdade Absoluta."
Esta incompreensão familiar, estendeu-se pela sua cidade natal, e o próprio clero e a igreja passaram a condenar seus escritos, sendo perseguido e banido da comunidade eclesiástica. Posteriormente, um padre seu amigo, conseguiu, após árdua luta, reconciliar Stanislas de Guaita com o poder monacal.
Apesar de ter nascido com imensa bagagem espiritual, jamais deixou de consultar a opinião dos antigos ocultistas, através de seus livros. Pois a verdade não se inventa: ela existe há séculos e cabe a nós encontrá-la na literatura, na Natureza e em nosso próprio interior. A opinião daqueles que dedicaram uma vida inteira à busca do conhecimento não pode ser negligenciada. Daí a grande importância das leituras. Guaita sabia disso e dialogava diariamente com Eliphas Levi, Fabre d´Olivet, Trithemo, Paracelso, Saint-Martin e com outros pais da espiritualidade ocidental, não apenas através de seus escritos, mas também através da Luz Astral.
O ambiente de sua biblioteca parecia exaltar os mais puros pensamentos e lá as pessoas esqueciam-se do tempo. Guaita lia raramente os jornais, mas concentravam-se nos seus grimórios, pantáculos e nos grandes clássicos do Ocultismo. Vivendo nessa atmosfera a maior parte do tempo, pairava acima das condições mundanas de sua época, podendo elevar os seus pensamentos às mais puras abstrações. Segundo Barlet: "ele via sábios pretenderem englobar no ciclo de suas descobertas todo o infinito do mundo, a ciência revoltar-se contra a fé, o espírito novo lançar-se contra a experiência dos séculos e o dogma do progresso material predominar sobre o da perfeição espiritual e moral".
Para Stanislas de Guaita, o importante era alcançar a beleza da alma, e para isso, em primeiro lugar era necessário vencer o orgulho. Era necessário transformar o instinto em sentimento e o sentimento em ideal. Era necessário renunciar aos prazeres sociais em seu aspecto coletivo, para que pudesse nascer a individualidade. "A sabedoria é o único egoísmo permitido, a glória é a única realidade aceitável quando ela é conquistada nas alturas" diria ele. "Não devemos deixar que a vida nos lastime, que entorpeça pelas circunstâncias exteriores o esforço de perfeição individual. O mago deve libertar-se do mundo, e não sofrer nele." - "Para ser mago, é necessário ser um gênio, um elo da corrente dos homens predestinados que transmitem, uns aos outros, de idade em idade, a chama da luz" diria Divoire, completando seus pensamentos.
Stanislas de Guaita, esse jovem ocultista, que possuía o mais vivo desejo de atingir o Nirvana, e que congregava uma plêiade de cabalistas do mais alto nível, a partir da última década do século XIX, como Papus, Barlet, Julien Lejay, Chaboseau, Polty, Marc Haven, Victor Emile Michelet, Sedir, Péladan, Oswald Wirth e outros, não deixou de fundar uma sociedade que congregasse os maiores talentos da época, vivificadores da Santa Cabala, e que ressuscitasse dos velhos santuários o simbolismo da Rosa+Cruz.
Seu conhecimento com Oswald Wirth teria ocorrido em 1887, a quem uma mulher doente à qual houvera magnetizado, lhe anunciara que recebia uma carta lacrada em vermelho e com armas da nobreza, endereçada por um homem jovem, de cabelos e pele clara e de olhos azuis, com idêntico interesse que o de Wirth. Efetivamente, essa carta foi escrita por Guaita na sexta-feira santa daquele ano, convidando Oswald Wirth para um almoço no dia seguinte, para travarem conhecimento pessoal.
Esse encontro entre os dois eminentes ocultistas, acabou produzindo, dois anos depois, em 1889, a união do simbolismo maçônico que Wirth estudara em 1884, com o significado interior do Tarô, professado por Guaita, na publicação das cartas desenhadas pelo primeiro, sob o título: "O Taro dos imaginários da Idade Média".

A Sociedade fundada por aqueles talentosos ocultistas da época, teria sido fundada e tornada pública pela necessidade de denunciar publicamente o abade Boullan, de cujos ensinamentos Guaita desconfiou, encarregando Wirth de investigar a verdadeira essência de sua doutrina.
Verificou-se que Boullan recorria à Missa Negra, a orgias sexuais entre os membros da seita e a outros fenômenos prejudiciais à saúde dos mais fracos. Concluiu-se que Boullan era discípulo de Eugêne Vintras, o feiticeiro desmascarado por Eliphas Levi, Vintras fundara a seita do Carmelo, cujas aberrações Guaita revelou no Templo de Satã, denunciando-as à opinião pública. Boullan foi condenado à retratação pública por um tribunal de Adeptos Rosa+Cruzes e, tendo-se agravado seu desequilíbrio psicológico, imaginou que Guaita teria sobre ele lançado algum enfeitiçamento. Guaita acabou sendo acusado de práticas mágicas contra Boullan por Jules Blois nos jornais "Le Figaro" e "Gil Blas". Esse caso explica os duelos de Jules Blois com Guaita e Papus, que felizmente não ocasionou nenhuma gravidade maior.
A Rosa+Cruz tinha na época como objetivo, além de recrutar intelectuais capazes de adaptar a tradição esotérica do século que estava entrando, explica-nos Stanislas de Guaita, combater a feitiçaria em todos os lugares onde ela pudesse ser praticada. "Nós os condenamos ao batismo da luz" enfatiza Guaita em O Templo de Satã. Ele procurava conhecer todas as artimanhas do maligno para combatê-lo com toda potência possível.
O acesso aos graus da Rosa+Cruz Cabalística era efetuado mediante exame, sendo que para o último grau era necessário a defesa de uma tese sobre um tema estabelecido pelo Supremo Conselho, o qual era formado por seis membros conhecidos e por seis ocultos. Os membros conhecidos eram Guaita, Papus, Barlet, Polti, Péladan e Agur.
François Charles Barlet, escrevia a respeito da obra de Guaita: "A harmonia dos contrários é a fórmula mais indicada para caracterizar a tua obra... Teu método é, ao mesmo tempo, analítico e intuitivo... Nem pontífice nem inovador: tu serás o fiel apóstolo das verdades que recebestes..."
Com a demissão de Péladan da Rosa+Cruz Cabalística, foi admitido o abade Roca, pseudônimo da Alfa. Ele, convocado pelo bispo de Perpignam a retratar-se de seu cristianismo esotérico não o fez, e assim, foi afastado do poder clerical, perdendo o seu título de canônico honorário.
Quando a Ordem adquiriu o número suficiente de membros, de acordo com a sua constituição, foi rigorosamente fechada. Ela dirigia outros grupos de iniciados de graus inferiores, propagando as doutrinas esotéricas no seio da coletividade, através de publicações das teses de doutoramento em Cabala.
Esse procedimento não só permitiu a formação de homens com bom conhecimento de Cabala, como propagou seus ensinamentos no meio ocultista. A Cabala propõe a síntese da doutrina dos magos, a Alta e Divina Magia herdada dos Caldeus através de Abraão, reformulada por Moisés e Esdras e divinizada pelo próprio Jesus Cristo. É a tradição primordial do Ocidente, que procura desenvolver a positividade do homem, tornando-o um ser de vontade.
Conforme André Billy, a Ordem Cabalística da Rosa+Cruz era administrada por um conselho supremo composto por três câmaras: Câmara de Direção (Baret e Papus), a Câmara de Justiça (Paul Adam, Julien Lejay e Alta), e a Câmara de Administração (Wirth e Chaboseau). As três reunidas compunham o Supremo Conselho e todas elas eram submetidas à direção do Grão Mestre, Stanislas de Guaita.
A respeito da apologia do Misticismo feita por Oswald Wirth, respondeu-lhe Guaita: "...Quando esses Iniciados - considerando-se quase como egrégoras, pastores de almas errantes, Sacerdotes e Franco-Juizes -, quando esses Iniciados chegam a praticar, passando pela terra, algum bem a seus semelhantes, isto é, a seus irmãos menores, acreditai, eles nada mais têm a desejar e possuem em verdade a paz profunda do Rosa+Cruz!".
Dentre os membros do Supremo Conselho, havia um que não aceitava a liderança de outra pessoa que não fosse ele próprio: Joséphin Péladan. Não admitia tornar-se discípulo tendo sido o primeiro mestre de Stanislas de Guaita. Além disso, suas concepções impregnadas de catolicismo romano exagerado, conflitavam com a opinião independente dos demais Rosa+Cruz. Suas concepções acerca de Jesus, Maria e de outros personagens do cristianismo não se diferenciavam das opiniões de um padre católico.
Dizia-lhe Stanislas de Guaita: "...Deus irá te conceder uma ou várias entrevistas, para que possas ver a Luz integral do Cristianismo esotérico, e isto sem renegar uma sílaba de teu credo, sem eliminar uma das arestas do Dogma Eterno. Pois estás destinado para o futuro; o céu assim o deseja... Sou, pois, Sacerdote do Oculto, como foram em todas as épocas todos os Adeptos do 3º grau e tenho todos os poderes para exercer o culto in secretis, magicamente e não sacerdotalmente".
"Seria capaz de sacrificar-me por tudo aquilo que creio verdadeiro, belo e justo" diria Guaita em outra ocasião.
Péladan não entendia o significado profundo e oculto dessas palavras e não admitia que seu ex-discípulo lhe falasse por parábolas, e assim, passou a editar bulas e excomunhões em nome da Rosa+Cruz. Advertido pelo Grão-Mestre, criou sua própria sociedade, a Ordem Rosa+Cruz Católica do Templo do Graal, separando-se do Grupo em 1890. Guaita, Jacques Papus e Charles Barlet declararam Joséphin Péladan cismático e apóstata denunciando seus atos e sua ordem ao tribunal da opinião pública.
Essa separação foi, sem dúvida nenhuma, muito desencantadora para Guaita. Viu todos os esforços, no sentido de encaminhar Péladan na Senda, caírem por terra. Entre 1882 e 1891 Guaita procuraria acalentar o espírito do amigo e fortificar a sua fé, ausente em seu íntimo.
Stanislas de Guaita buscara sempre ser um mediador e um médico de almas. Numa correspondência a Péladan, diria: "Para curar uma alma, um Dirigente prudente usará alternativamente o Rigor e a Misericórdia. Assim um bom médico poderá curar um corpo sofrido, pelos Semelhantes ou pelos Contrários... Eu reconheço que a homeopatia é a medicina esotérica; é o magnetismo curativo quem sintetiza o emprego do medicamento."
Acreditava ele que para penetrar a Sabedoria Divina existente além da ciência humana, são necessários o Amor e a Fé. Dizia que "A inteligência voluntária é, entre nós, o princípio ativo; mas a fé é passional e passiva. A Grande Obra é o casamento do ativo e do passivo; é como dizia Basile Valentin, o Fixo do Volátil e o Volátil do Fixo."
A falta de fé está intimamente associada à ausência de tolerância, que é, em última análise, um desamor em relação a todos os nossos semelhantes.
Guaita nunca deixou de prestar suas homenagens aos Mestres que lhe precederam. Dizia ele: "Tenho uma infinidade de livros de todos os séculos e li com atenção na Biblioteca Nacional quase todos os mestres; inclino-me diante de Eliphas Levi como diante do Mestre dos Mestres (como Arnaud de Vila Nova chamou a Geber). Ninguém, que eu saiba, penetrou tão profundamente no problema, e ninguém construiu uma síntese tão esplêndida, tão imensa e tão inabalável."
Em 1886, Stanislas escreveu a Péladan dizendo-lhe que estava preparando para os próximos anos a publicação de uma obra que deveria denominar "Os Três Mundos", com uma introdução longa, destinada a familiarizar o espírito do leitor com as matérias esotéricas de maior profundidade discutidas nos tomos seguintes. Essa introdução foi publicada inicialmente na Revista Contemporânea, dando origem ao seu primeiro livro: "No Umbral do Mistério".
Já nessa época, Stanislas de Guaita prenunciava sua passagem para o Oriente Eterno, e em algumas de suas cartas, sua caligrafia demonstrava os sofrimentos corporais de que era vítima, chegando a tornar-se ilegível pela dor que o atormentava.
"Preparai-vos - disse ela a Péladan convidando-o para com ele encontrar-se em Paris - eu estarei aqui por pouco tempo e tenho sede de vossa companhia". - "Eu vos escrevo no leito, sofrendo, como podeis ver por minha escrita. - "Procuro diminuir minha Morfina, mas isto me é muito difícil".
Nunca entretanto, deixou de ocupar-se do ocultismo, escrevendo continuamente sobre os temas que se tornaram o seu Verdadeiro Ideal.
Dizia ele que a chave de tudo está na Luz Astral. Nesse sentido concebeu a sua obra baseado nas lâminas do Tarô, procurando desvendar o tríplice significado de Nahash, a alma astral do mundo. "Dominar a Luz Astral em si e na Natureza é ter descoberto e formulado o incomunicável Grande Arcano. É a matéria-prima que solve e coagula para a realização da Grande Obra. A Fé, a Ciência e a Vontade, são instrumentos de emancipação do Verbo Humano e de sua reintegração no Verbo Divino, promovendo o casamento místico do homem com a Divindade."
Seus ensaios de Ciências Malditas, deveriam compreender, cinco volumes a saber:
1º Volume - "No Umbral do Mistério" - introdução geral.
2º Volume - "O Templo de Satã".
3º Volume - "A Chave da Magia Negra".
4º Volume - "O Problema do Mal".
5º Volume - "Conclusão, a Apoteose".
No Umbral do Mistério foi publicado em 1886, em formato pequeno sem os apêndices. Para o meio ocultista da época foi uma revelação. Todos os Homens de Desejo encontraram a luz que buscavam na chama viva que era Stanislas de Guaita. Ele foi o primeiro a surpreender-se com o inusitado sucesso de seu livro. Em 1890 foi publicada uma segunda edição, três vezes maior, contendo dois pantáculos de Henry Khunrath. Em setembro de 1894 houve uma terceira edição, na qual, utilizando o prólogo, Stanislas de Guaita fala do sentido verdadeiro da Alta Magia como síntese geral, duplamente fundamentada na observação positiva e na indução por analogia.
Guaita confessava-se discípulo fervoroso de Eliphas Levi e de Fabre d´Olivet e não pensava ser mais do que um simples discípulo. Não esperava nenhum apostolado, mas sua primeira obra ocultista, revelou-se por inspiração divina e pelo ardor de seus leitores.
Aceitou com naturalidade, aos vinte e cinco anos, a missão que se descortinou para ele, preparando-se ainda com mais afinco para o fiel cumprimento do alto dever que contraiu com o próprio Reparador. Dedicou toda a sua vida a procurar a verdade e a transmitir as teorias ocultistas dentro de um estilo claro, que logo se tornou clássico. Numa época em que todos se ocupavam em alimentar as paixões da alma e os instintos do corpo , obteve grande reputação em razão de seu trabalho desinteressado, que não tinha outro objetivo a não ser conduzir, elevar e iluminar a alma humana.
Raphael Germinal, em seu livro, "O Destino Religioso da Humanidade", diz que: "O nome de Jesus simboliza então, admiravelmente, a queda da divindade no espaço e no tempo, pelos ciclos geradores da Senda Universal. "Guaita, escreveu: "O número da queda, é também o número da vontade, e a vontade é o instrumento da reintegração."
"O Templo de Satã", foi publicado em 1891, abordando as sete primeiras lâminas do Tarô, focalizando a história física do ocultismo inferior e os procedimentos da baixa magia. Ele é o primeiro volume da "Serpente da Gênese".
Para esclarecer o sentido figurado, Guaita elaborou a "Chave da Magia Negra". Nahash, a luz astral, agente tanto de obras boas como más. Seu domínio fornece a chave da Magia Negra, permitindo analisar as causas e os efeitos dos ritos e dos fenômenos descritos em O Templo de Satã. A Chave da Magia Negra foi editada em 1897, ano da morte de Guaita, e O Problema do Mal não chegou a ser concluído, sendo completados, os poucos capítulos que o autor chegou a redigir, por Oswald Wirth e por Marius Lepage. Muitos anos depois, em 1949, Lepage fazia notar que Stanislas tinha 35 anos quando começou a escrever O Problema do Mal, e que Oswald Wirth se aproximava dos sessenta quando retomou o livro inacabado. Nesse intervalo, muita água correra sob a ponte do esoterismo. De qualquer forma, Wirth procurou seguir de perto as indicações das lâminas do Tarô. Ele que amara a Guaita como a um irmão, continuava sentindo a sua presença quase tangível. Legou a Lepage o manuscrito por ele concluído do Problema do Mal, com a missão de que Lepage o terminasse em forma definitiva. Lepage por modéstia, concluiu que: "Quanto mais eu estudava as folhas que me haviam sido passadas, mais eu compreendia que era a obra de uma única alma em dois corpos. "Wirth e Lepage deram conclusão a essa obra póstuma de Stanislas de Guaita, seguindo à risca os ensinamentos do mestre. O livro possui aproximadamente 100 páginas escritas ou ditadas por Guaita, 10 ou 12 completadas por Wirth e mais ou menos 60 por conclusões e comentários de Lepage (conf. A. Billy).
Se Guaita tivesse tido tempo para concluir esse livro, provavelmente a evolução de seu pensamento nos teria presenteado escritos da mais alta profundidade, em razão do amadurecimento de suas doutrinas. Com "O Problema do Mal", os leitores encontrariam as chaves que conduzem à Iluminação Divina, se a Providência não tivesse arrancado o autor do convívio de seus iniciados. Os amigos de Guaita pensavam, em 1897, que a Providência Divina não aprovara a conclusão da obra, repleta de revelações que deveriam permanecer ocultas e restritas a um pequeno número de Homens de Desejo. De qualquer forma, essa sua obra somente foi publicada 50 anos após a sua morte.
Por volta de 1888 Papus reanimara a Ordem Martinista e Stanislas de Guaita chegou a presidir uma cerimônia de Iniciação. Essa Ordem tomou grande vigor a partir de 1887 devido à multiplicação dos iniciados livres e pela constituição do Supremo Conselho da Ordem em Paris. A Ordem Martinista conservara intactas as constituições das altas fraternidades iniciáticas que precederam à revolução maçônica de 1773. A Ordem Martinista era essencialmente espiritualista e combatia com todas as suas forças o ateísmo e o materialismo. Outorgava ao simbolismo, o grande papel que lhe estava reservado em qualquer iniciação séria. Nunca se ocupava de política nem de questões de cultos religiosos. Permitia estudar e não abandonava a mais absoluta das tolerâncias. Lá não adentrava aquele que queria, mas aquele que tendo reunido méritos para tal, para isto era convidado. O iniciador não podia ser conhecido a não ser por duas pessoas: aquela que havia sido iniciada, e o iniciador do próprio iniciador. Estabelecia-se assim uma corrente de silêncio iniciático.
Numa recepção Martinista presidia por Stanislas de Guaita, estas foram as suas palavras: "Aqui não tratamos de impor convicções dogmáticas. Que tu acredites ser materialista ou idealista, que professes o budismo ou o cristianismo, que te proclames livre pensador ou que somente aceites o cepticismo absoluto, pouco nos importa realmente. Nós não contradizemos teu coração incomodando o teu espírito com problemas que não deves resolver a não ser frente à tua própria consciência e no solene silêncio de tuas paixões aplacadas... Dá ao amor dos homens, teus irmãos, a denominação que quiseres: Amor, Solidariedade, Altruísmo, Fraternidade ou Caridade... As palavras não são nada... Mas, sejas quem fores, não te esqueças jamais que, em todas as religiões realmente verdadeiras e profundas, isto é, fundamentadas no esoterismo, colocar tudo isto em prática, através do sentimento, é o primeiro ensinamento, capital, essencial... Nenhum dogma religioso ou filosófico pode ser imposto à tua fé. Quanto às doutrinas, cujos princípios essenciais resumidos para ti, pedimos tão somente que as medites como melhor te parecer e sem idéias preconcebidas... Abrimos para ti os selos do livro, agora deves primeiro conhecer a letra e, posteriormente penetrar no Espírito dos mistérios que este livro encerra..."
Afastado da Ordem da Rosa+Cruz, Stanislas de Guaita, prenunciando a sua passagem para o Oriente Eterno, viveu cada vez mais solitário e longe da turbulência mundana. Charles Barlet, que o visitara em 1896, pedindo-lhe colaboração para uma pequena revista, assim descreve parte de sua visita: "Seus olhos azuis... de uma calma impressionante... seus traços imóveis, enquadrados pela barba e pelos cabelos loiros, davam à sua fisionomia algo do aspecto hierático que se imagina nos sábios da Grécia e nos Profetas da Bíblia."
Encerrando em seu castelo com livros de esoterismo reunidos durante toda a sua vida, Stanislas de Guaita desinteressara-se pelas lutas políticas e sociais que, nessa época, opunham franceses contra franceses. Ao contrário de Barrés e Péladan, ignorava as coisas temporais, não tendo pensamentos a não ser para o invisível. Realizou a solidão temporal da Lâmina IX.
Ele que combatera o mal, chegara a uma conclusão definitiva sobre sua existência no mundo da forma, em oposição ao bem: "Sem dúvida, pode-se dizer que Deus não criou o Mal, mas admitiu-o como possibilidade para o caso de que, livremente, o homem quisesse cometê-lo."
A esse respeito, dissera ainda: "Eis aqui a árvore da ciência do Bem e do Mal; seu tronco bifurcado eleva-se sobre uma única raiz. Eis aqui a virgem simbólica que Apolônio encontrou às margens da Hiphasis e cujo corpo está dividido numa metade branca e numa metade negra. Eis aqui o misterioso cristal do pantáculo de Tritheme; no triângulo superior, brilha o esquema Divino, o Tetragrama incomunicável a imagem de Satã ri nas trevas do triângulo inferior."
Para Guaita, o ocultismo comporta um tríplice objeto de estudos: Deus, o Homem e o Universo. As duas colunas do templo são Jakin e Boaz e os métodos complementares para aquisição do conhecimento são a experiência e a tradição. As duas são necessárias, pois que uma única, somente forma iniciados incompletos. A analogia é o método duplo, ao mesmo tempo indutivo e dedutivo, de grande valor para os iniciados que caminham na senda do ocultismo.
"Existem quatro diferentes caminhos para o homem, - diz Stanislas de Guaita, - em primeiro lugar a vida universal, à qual se vincula pela vida de sua espécie. Depois, a sua própria vida, que é inerente a seu ser individual. Depois, a vida refletida, a vida particular de cada uma das células cujo agrupamento orgânico constitui seu próprio corpo. E, finalmente, num grau inferior, a vida química dos átomos da matéria que se agrupam eles mesmos para formar a célula."
A cada ser humano é dado viver com maior ou menor intensidade aquela dessas vidas que mais atrai a sua própria alma. Uns fundamentam-se na ciência humana, outros na Ciência Divina. Os Iniciados, em ambas, para realizarem o equilíbrio universal.
Stanislas de Guaita foi assim, um Cabalista e um Alquimista, embora nunca tenha admitido pessoalmente essa condição. Para ele, entre outros, Guilhaume Postel, Reutchlin, Khunrath, Nicolas Flamel, Saint Martin e Fabre d´Olivet eram Mestres da Cabala, e ele seguia-lhes os passos juntamente com Victor Emile Michelet desde os 20 anos de idade, quando foram apresentados por Barrès, um ao outro. Michelet foi o último sobrevivente do grupo de Guaita, passando para o Oriente Eterno em 13 de janeiro de 1938.
O Destino não permitiu que Stanislas de Guaita concluísse seu terceiro setenário, ocasionando sua morte através do mesmo mal que atacou seu pai em 1880: a uremia. Já antes de 1886, Guaita queixava-se desse mal, cujo reflexo é uma dor de cabeça terrível. Mas o mal foi-se acentuando, e em 1897 Guaita chamou em Alteville seu mais fiel companheiro, Papus, para transmitir-lhe a sucessão na Ordem Cabalística da Rosa+Cruz, dizendo-lhe que estava tudo acabado e que o Destino não lhe permitiria dizer mais nada. "Talvez eu assista ao nascimento de meu livro ("A Chave da Magia Negra"), mas creio que não poderei ir mais longe". Alguns dias mais tarde, Papus sentiu que um nascimento estava prestes a ocorrer no Invisível: viu inúmeros sinais misteriosos, enchendo seu coração de tristeza, e isso significava a morte do companheiro que tanto estimava. Três dias depois Stanislas de Guaita estava morto, vítima de uremia. Seu espírito galgando as alturas das regiões celestes, foi atuar no mundo das almas glorificadas, na Comunhão dos Iniciados.
Não deixou testamento literário ou filosófico, na opinião de seus biógrafos e amigos. Muitos acreditam que seus últimos desejos não foram transmitidos aos amigos de Paris. A biblioteca que valia no mínimo, 38 mil francos, foi vendida por apenas 15 mil à livraria Dorbon. Os livros raros, com notas do punho do Adepto, foram dispersados. A família recusou todo tipo de oferta dos amigos pela biblioteca Parisiense. Muitos manuscritos seus foram queimados, assim como diversos documentos. Sua família via na atividade iniciática do Mestre a causa de sua morte, esquecendo-se de que o pai fora atingido pelo mesmo mal em 1880.
O mal que ele tanto procurou combater, reside na imaginação corrompida das pessoas, nos corações endurecidos pelo orgulho e pelo ódio. Reside no egoísmo e nos falsos valores da humanidade. A morte física é o sofrimento da saudade para os encarnados, mas também é a desvinculação das necessidades físicas. E ele poderá viver na Luz e pela Luz, contribuindo para a emancipação de seus semelhantes que ainda permaneceram para trás na escala evolutiva.
Um novo século se aproxima e novos iniciados realizarão igualmente a sua obra. Eles encontrarão o caminho um pouco mais facilitado pelo trabalho de seus antepassados, Filhos da Luz, como foi Stanislas de Guaita.
Dois anos após a morte de Stanislas de Guaita, Péladan, que não lhe guardara nenhum rancor pelas admoestações recebidas, dedicou-lhe sua obra "L´Occulte Catholique" (1899), endereçando-lhe palavras que todos os iniciados, no momento em que se reverencia sua memória, igualmente fazem suas:
"...Tua morte prematura assegurou toda a purificação de teu destino, e tu és agora um Eleito. Eu me recomendo à tua amizade, celestialmente destinada, em testemunho daquela que nos uniu por muito tempo e que nos reunirá, eu o espero, na própria eternidade. Assim seja."
O Mestre Stanislas de Guaita, passou para o Oriente Eterno a 19 de Dezembro de 1897, quando contava com 36 anos de idade.